Estados Alterados de Consciência
- essencia almente
- 11 de mai.
- 2 min de leitura
Quando a mente abranda, o corpo fala e a alma deixa de sussurrar.
Vivemos numa sociedade apaixonada pela pressa.
As pessoas estão cansadas a beber café, apenas para continuar cansadas com mais energia.
Os corpos vivem em alerta constante. As mentes cheias de ruído. As emoções engolidas entre notificações e listas de tarefas. Uma coreografia moderna onde nos perdemos absurdamente.
E no meio disto tudo, esquecemo-nos de algo essencial:a consciência humana não existe apenas num único estado.
Há momentos em que pensamos de forma lógica, prática e racional, mas existem também existem estados mais profundos, silenciosos e expansivos, onde a percepção muda, o tempo desacelera e partes escondidas de nós começam finalmente a emergir.
Os chamados estados alterados de consciência não são "algo" necessariamente místico, perigoso ou distante. Pelo contrário, são experiências humanas naturais, que acontecem quando a actividade mental habitual se modifica e entramos numa frequência interna diferente da correria automática do dia-a-dia.
Podem surgir através da meditação, da respiração consciente, da oração, do som, do silêncio profundo, da dança, da contemplação da natureza, do transe terapêutico, do sono, dos sonhos, de experiências emocionais intensas ou até daqueles momentos raros em que sentimos uma presença absoluta no agora.
Quem nunca conduziu um caminho inteiro “em piloto automático”?
Quem nunca perdeu a noção do tempo a criar, dançar, escrever ou contemplar o mar?
Quem nunca sentiu, por instantes, que havia algo maior dentro de si?
Esses momentos revelam que a consciência humana é fluida e talvez muito mais vasta do que fomos ensinados a acreditar.
Em estados alterados de consciência, algumas pessoas sentem uma clareza emocional profunda, outras conseguem aceder a memórias esquecidas, desbloquear emoções reprimidas ou compreender padrões internos que antes pareciam invisíveis. Há quem experimente paz, há quem chore, quem sinta o corpo finalmente relaxar depois de anos em sobrevivência silenciosa.
A verdade é que quando a mente racional abranda, o inconsciente ganha espaço para comunicar.
E o corpo comunica sempre, seja através de sensações, de imagens internas, de emoções antigas, intuições que a lógica nem sempre consegue traduzir.
Isto não significa abandonar a razão ou viver desconectado da realidade, pelo contrário, um estado alterado de consciência saudável pode aproximar-nos mais da nossa verdade, aumentar a autoconsciência e ajudar-nos a integrar partes de nós que estavam fragmentadas pelo stress, pelo trauma ou pelo excesso de controlo.
Há uma inteligência profunda no silêncio interior, mas é difícil ouvi-la quando estamos permanentemente distraídos. Talvez por isso tantas pessoas sintam medo quando finalmente param, porque é no silêncio, que encontramos tudo aquilo que tentámos evitar sentir, como a tristeza não chorada, o cansaço ignorado, a raiva abafada, a criança interna esquecida e também a nossa força. A nossa sensibilidade. A nossa essência.
Os estados alterados de consciência servem para regressar à vida com mais presença, com mais verdade, escuta e consciência.
Talvez a cura comece exactamente aí:no momento em que deixamos de tentar controlar tudo e nos permitimos sentir.
Há partes da alma que só conseguem ser ouvidas quando a mente finalmente se cala. Ana




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