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O tempo da Maternidade é investimento no capital humano e afetivo de uma sociedade.

O tempo da maternidade não é uma pausa na produtividade. Não é um intervalo vazio na vida activa de uma mulher. É, antes de tudo, um investimento — talvez o mais profundo que se possa fazer — no capital humano e afectivo de uma sociedade.


Quando olho para países como a Suécia, a Noruega ou a Finlândia, vejo modelos que já compreenderam isto há muito. Lá, as licenças parentais são longas, remuneradas e muitas vezes partilhadas entre mãe e pai. O posto de trabalho é protegido, a progressão de carreira não sofre penalizações, e a parentalidade é reconhecida como actividade produtiva. Porque formar cidadãos saudáveis, seguros e emocionalmente estáveis é tão essencial como construir estradas ou desenvolver tecnologia.


Do ponto de vista humano — e, diria também, psicanalítico — dar tempo real para que a mãe possa ser apenas mãe, sem medo de perder salário, estatuto ou oportunidades, seria um acto de cuidado colectivo. Seria proteger o vínculo primário, aquele que dá à criança a base para se sentir segura no mundo. Seria evitar cortes abruptos que geram angústia e sintomas tanto na mãe como no filho. Seria aliviar o peso da culpa materna, permitindo que a decisão sobre amamentar, cuidar e estar presente fosse verdadeiramente livre, e não pressionada por exigências externas.


E penso… se a energia que hoje se gasta a fiscalizar mães que amamentam “demais” fosse canalizada para criar políticas de protecção à parentalidade, estaríamos muito mais próximos daquilo que chamamos saúde pública. Estaríamos alinhados com a própria Constituição, que garante a protecção da infância e da família.


A maternidade não é ausência de trabalho. É o trabalho invisível que sustenta o futuro.

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